De tudo um pouco

Sunday, February 12, 2012

ISeek You ou como é mais conhecido ICQ




Você aí, menor de 20 anos, prepare-se para ser surpreendido, maiores de 20 anos, nostalgiem-se meus queridos!
A data é 15 de novembro de 1996, no olho do “Bum da internet”, as pessoas aos poucos estavam se adaptando ao tal do email, de acessar uma página com GIFs animados e a saudosa Internet Discada, que levava qualquer pessoa ao pânico em questão de segundos! Dando um contexto melhor… o que você demora pra baixar um DVD em alta definição, a gente levava pra baixar um CD com 12 musicas em mp3! Voltando a missa: Eis que surgem algumas propostas para facilitar a comunicação entre os usuários da “Rede Mundial de Computadores (quem ouviu o Cid Moreira falando isso sabe o peso que tem!), dentre essas propostas, uma mais descolada, mais molecona, chamada ICQ!
Criado por 4 Israelenses vanguardistas ele foi por muitos anos a maior plataforma de mensagens instantâneas do mundo! Em 1 ano de existência, ele conseguiu mais de um milhão de usuários! Coisa que para a época é comparada ao surgimento de um novo Zuckerberg por exemplo. Dentre várias características, ressalto as mais interessantes:
- Som clássico de quando chega uma mensagem (HÁ-HOW);
- O UIN que era o seu “Número do ICQ” que servia para as pessoas te acharem.

Aqui paro pra comentar que as pessoas nem sempre tinham email, não havia nada parecido no mercado (MSN era um feto de plagio ainda).
- Deixar mensagens curtas offline para outro usuário como se fosse uma caixa postal;
- A meta linguagem dos “SMILES” já existia desde aquela época e quem sabia mais combinações era um Geek de respeito!

Por varias compras, retomadas, negociações contra a maré (Vide AOL), ele acabou ficando ofuscado por outros comunicadores que vem integrados ao sistema operacional e é parecido com o original, inclusive nas funcionalidades… (Já vi essa história com maçãs). Depois de sua curva descendo na audiência parte por surgimento do MSN, Mirc, o ICQ após algumas trocas de donos se afasta do mercado brasileiro.
No últimos anos, seus serviços agregados sofreram alterações bem como o seu foco:
2010 – ICQ é vendido para a Digital Sky deixando de ser da AOL, no fim do ano apresentaram o ICQ 7, que agora realiza integração com as redes sociais, o que fez com que ele voltasse a ter o seu glamour dentro das alternativas de aplicativos para “Google Talk”, “Facebook Chat” e afins.
2011- ICQ abre seu protocolo a comunicadores não oficiais e encerra o serviço “ICQ BLOGS”.
11 de junho – ICQ interrompe seus serviços para manunteção, o objetivo é melhorias de infra-instrutura contra spammers, no seu retorno, anuncia um novo produto chamado ICQ-on-site que dá a opção para desenvolvedores incluirem o ICQ em seus websites. E anuncia seu novo CEO, no lugar de Eliav Moshe, Alexander Gornal.

Hoje ele tem aplicações para as plataformas:
- Windows
- Mac OS
- Linux
- Windows Mobile
- iPhone e iPod Touch
- Android
- Java
- Versão Web: Pode ser acessada de qualquer navegador de celular atráves do endereço http://m.icq.com
- Blackberry
- Symbian

Deu saudade? Ficou curioso? Não tem desculpa para não matar a saudade dele inclusive com seus sons clássicos e uma interface bem organizada e inteligente.


Video games facilitam aprendizado do inglês



Eis um bom argumento para ser usado quando disserem que jogos não ajudam em nada. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Helsinque apontou que o domínio da língua inglesa é maior entre os alunos que jogam video game. A instituição finlandesa usou 500 jovens como parâmetro e constatou que, quanto mais tempo em frente aos consoles, maior a habilidade com o idioma. 


Na disciplina, os jogadores conseguiram, em média, 8,79 pontos, enquanto quem não tinha nenhuma relação com games obteve apenas 7,28. Em outra análise, os meninos tiveram um desempenho melhor do que as garotas. 


O estudo ainda revelou que os títulos que mais incentivam a aprendizagem de outro idioma são aqueles com recursos online, pois o jovem precisa aprender uma nova língua para se comunicar com outras pessoas. Neste caso, o inglês se torna a opção mais procurada exatamente por seu caráter universal. Ainda, World of Warcraft foi citado como o jogo favorito dos alunos finlandeses.

Thursday, October 6, 2011

Hitler e os Discos Voadores


Adolf Hitler foi detentor de um grande avanço tecnólogico durante a segunda guerra mundial e, por hipótese, terá estado ligado ao fabrico em série de aeronaves apelidadas de discos voadores. Pensarmos, nesta possível parte da história que não nos é contada e confirmada, faz-nos ponderar o conjunto de teorias que foram criadas em torno destes objectos redondos e cintilantes que tantos já afirmaram ter visto.

O desconhecido exerce desde há muito um fascínio e curiosidade sobre o ser humano. Quantas teorias sobre fenómenos sobrenaturais são exploradas e quantas questões sem resposta são levantadas? Quem já não pensou, por exemplo, no fenómeno da existência de Óvnis, e quem já não ouviu testemunhos que afirmaram o avistamento de objectos estranhos, redondos e brilhantes no espaço?

De facto, a indústria
 do cinema, e até mesmo da literatura, deram origem a várias teorias e alimentaram opiniões diversas sobre este tema. O certo é que as primeiras abordagens a este fenómeno e os primeiros testemunhos reais tiveram origem na época de Hitler.

Recuemos no tempo, mais exactamente ao início da Segunda Guerra mundial. E mergulhemos na teoria de Hitler e dos Discos Voadores.
Da ficção a breves factos reais, da história ou para a história, a tecnologia
 avançada que existiu durante a segunda guerra mundial deu origem a mísseis balísticos intercontinentais, motores a jacto, canhões de som, aeronaves avançadas e outros projectos fantásticos.

  No entanto, aliada a toda esta mistica, e entre os projectos mais secretos de toda a Alemanha nazi, estariam os planos de um avançado sistema
 de propulsão, base da existência dos discos voadores.

De facto, não é difícil imaginar este cenário se tivermos em conta a alta tecnologia que Hitler possuía, e os cientistas de nome como Bellonzo, Miethe e Viktor Shauberger que estavam envolvidos directamente nos seus projectos.

Consta que Schauberger, foi o responsável pelo projecto da Aeronave apelidada de "Disco Voador", que tinha a capacidade de viajar acima dos 2.000km/hr e que alcançava uma altitude de 40.000 pés em menos de três minutos.

Existem relatos de que estes discos voadores foram vistos mais tarde sobre os Estados Unidos e que existiu de facto uma produção em massa dos mesmos. Diz-se também que Adolf Hitler pretendia utilizar estes Aviões em formato de Disco Voador como instrumento de Guerra, e que parte desta tecnologia permanece ainda hoje na base América 2-11, na Antárctida.

Realidade ou pura ficção? Certezas não existem, mas o facto é que a Alemanha Nazi reivindicou o território de Nova Suábia, na Antárctida e realizou uma pesquisa em tecnologia de propulsão avançada. Existem, ainda, testemunhos que afirmaram o avistamento de Óvnis durante a Segunda Guerra Mundial. 



Alegada fotografia de um modelo experimental SS E-IV 


O primeiro relato verídico sobre o avistamento de discos voadores nazis, foi feito por um professor, um cientista italiano e um ex-ministro da Economia Nacional no âmbito do regime de Mussolini, através de um artigo para o jornal Il Giornale d'Italia, em 1950. Estes afirmaram que os grandes poderes tinham lançado discos voadores, com o objectivo de os poderem estudar e testar.
Foram muitos os pilotos que afirmaram ter visto naves estranhas sobre a Alemanha. Nenhuma delas foi capturada pelos aliados, embora alguns cientistas tivessem desaparecido, existindo hoje a teoria que essas naves tenham sido embarcadas para algum lugar, tendo como referência a Antárctida. 






Fotografia rara de um alegado teste na base espacial de Peenemuende. (dir) Estrutura circular construída na Polónia. Segundo o historiador Igor Witkowski fui utilizado nos testes do projecto Vril


Este assunto foi referido através de alguns meios noticiosos, nomeadamente o New York Times, como algo novo e misterioso que estava a surgir, durante a Segunda Guerra Mundial. Desde uma nova arma alemã a esferas coloridas que tinham sido avistadas em território alemão, foram vários os relatos que fomentam até hoje um desconhecido.
Este é sem dúvida um tema que gera polémica. Para alguns são simplesmente factos que não passam de pura especulação, para outros uma hipótese bastante provável que agarra testemunhos da época e pode explicar o tão falado e especulado tema do aparecimento de óvnis que fomenta conversas até aos dias de hoje.

+ Fotos: 








Foto de baixa resolução de um alegado teste real. 

Foto de baixa resolução de um ME109 (caça nazi) a voar em formação com um alegado protótipo VRIL7. 

Teorias referem a existência de uma base avançada na Antárctida. Esta base seria posteriormente encontrada e gerida pelos EUA.

Fonte: Obviousmag/Org



Wednesday, October 5, 2011

Homenagem a Steve Jobs




Infelizmente o mundo, principalmente os grandes apaixonados por tecnologia perderam nessa quarta feira dia 05/10 de 2011 um dos maiores GÊNIOS desse mercado tão competitivo e "maluco" que é a tecnologia em si!
Steve Jobs foi aquele criador onde seu foco era sempre a qualidade, QUALIDADE - talvez uma palavra que muitas Empresas passam bem longe disso. Lógico que o foco era ditar o mercado de TI, áudio, portáteis, enfim, basicamente TUDO!
Com Steve Jobs foi criado a Apple, sim aquela Empresa com o símbolo da maçã que dispensa comentários, pois onde existe esse símbolo, tenha certeza que vc está com o que há de melhor em mãos!
Steve Jobs Revolucionou o mundo em todos os sentidos, seja na parte de áudio com seu inconfundível I-Tunes, seja com o estrondoso I-phone e suas modificações. Nem precisamos falar do poder dos I-Macs e agora o tão copiável I-Pad.
Fica aqui minha homenagem a uma lenda, que ajudou sim também os games, principalmente na área dos portáteis e interatividade, pois não é à toa que hoje temos jogos de Kinect, e PS MOve que antes estavam no grande pequenino I-Phone. Sem mencionar outros exemplos.
Obrigado a vc GRANDE GÊNIO Steve Jobs! Infelizmente essa passagem está escrita em nosso destino, mas o que vc fez aqui na terra nesses seus 56 anos são mais importantes e marcantes para os próximos séculos e séculos e séculos por vir!

Obrigado!

Saturday, October 1, 2011

Melhores modelos e estilos de Xbox 360

Mais de seis anos se passaram desde o primeiro console Xbox 360 viu a luz do dia, e ao longo dos anos edições especiais ou limitadas passaram pelas lojas. Com mais de 50 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, este é um dos melhores consoles de todos os tempos. Mas talvez isso não é suficiente para todos, e é por isso que a Microsoft e outros produtores lançaram estilos personalizados, a maioria dos quais são baseados em jogos ou personagens encontrados neles. 

No caso de você estar entediado com o estilo clássico de seu Xbox, você deve saber que existem sites onde você pode facilmente personalizar o dispositivo. No entanto, a seguir estão alguns dos melhores projetos feitos, alguns lançado como uma edição limitada pela empresa ao longo do tempo, e alguns são o excelente trabalho de vários artistas. 

Em primeiro lugar, tendo o projeto como o mais impressionante que você provavelmente já viu, são estes três estilos de Xbox 360 lançado pela Calibur11. O modelo Gears of War 3  foi disponibilizada em setembro, com o lançamento do jogo. O modelo possui um Infected Omen equipado com brilhantes olhos LED, com modos de iluminação que dão cores diferentes para aumentar a sua experiência de jogo. Por exemplo, quando você está perto da morte, os olhos irão mudar para uma cor vermelho carmesim, indicando que você deve recuperar. O preço para este é U$89,99 ? e pode ser comprado em suas lojas locais (se disponível em estoque) ou no site oficial do Calibur11






Outro estilo vindo do mesmo produtor é o MLG: Apocalypse Face, que é similar ao modelo Gears of War 3 e custa o mesmo valor de 89,99 ?. Este foi apresentado na CES 2011 e tem olhos brilhantes de LED similares. 






O último modelo da Calibur11 é inspirado Battlefield 3. O case está atualmente disponível para encomenda e provavelmente irá estar disponível até lançamento do jogo. 






Estes três modelos, com certeza estão ótimo, mas parece que não é a única coisa especial sobre eles, eles também melhoram as condições em que o seu de Xbox 360 é mantido. Por exemplo, cada um desses estilos adiciona estabilidade melhorada, com um suporte para segurar o seu controle e um revestimento criado para acelerar o resfriamento.

Outro conceito semelhante, a Weta Casemod criado por Richard Taylor e a Weta Workshop, é baseado na série Halo, como você pode ver nas fotos a seguir. Este console foi criado há um ano, mas apenas para fins de caridade e não está disponível para o público em geral. O console foi leiloado no eBay e a doação foi para a Peachey David Foundation para ajudar as crianças, depois que a Microsoft correspondeu ao preço de venda e adicionou um extra de R$ 10 000. 







Não tão impressionante como os modelos mencionados anteriormente, as edições oficiais limitadas ou especiais lançada pela Microsoft também oferecem recursos de desempenho ligeiramente modificada. E mesmo se edição limitada significa que eles estão disponíveis por um determinado tempo na loja oficial, não hesite em procurá-los em sites como o eBay ou Amazon.

Apresentando as mesmas especificações originais do Xbox 360, o console de edição especial de Halo 3 foi lançado em 2007 e tem o mesmo preço que o Xbox original. 







Com o lançamento do filme The Simpsons, 100 unidades foram produzidas em 2007, com um controle sem fio. 






Com o lançamento de Resident Evil 5, um pacote incluindo um gamepad vermelho e console com um fone de ouvido com fio preto foi disponibilizado em 2009. 








Call of Duty: Modern Warfare 2 também teve sua edição especial em 2009 e foi baseado em Xbox 360 Elite, com um 250 GB de disco rígido, dois controles sem fio e um headset. 








Em 2010, um console de edição limitada de Final Fantasy XIII foi lançado. Semelhante ao Call of Duty: Modern Warfare 2, o console foi baseado em Xbox 360 Elite e teve um disco rígido de 250 GB e com dois controles sem fio. 






A versão de Tom Clancy's Splinter Cell: Conviction era de cor preta e contou com 250 GB de disco rígido, dois controles sem fio e incluiu uma cópia do jogo. 








Ao preço de $ 399,99 um console foi inspirado em Halo: Reach e foi lançado em 2010 com um disco rígido de 250 GB. 






Em 2011, dois consoles Xbox 360 S de edição limitada, com o preço de $ 399,99 foram lançados. Cada um com 320 GB, são inspirados em Gears of War 3 e Call of Duty: Modern Warfare 3, e seus lançamentos coincidiu com as datas que jogos chegam às lojas. 







O último na lista das edições especiais oficiais, é a Limited Edition Bundle Kinect Star Wars, que está programado para lançamento em 2012 de US$ 449,99.






Vindo de Omega, este casemod de Tron certamente chama a atenção de muitos fãs de Tron jogadores de Xbox .Foi apresentado na PAX no início deste ano. Para mais informações, incluindo lançamento oficial e o preço, acompanhe o blog do desenvolvedor. 







Fonte: Finestdaily

Wednesday, September 28, 2011

Metades


Dualidade. Opostos. Doce e salgado, frio e calor. O mundo está repleto de metades fadadas a permanecerem separadas. A própria espécie humana parece ser a máxima expressão da luta constante entre partes antagônicas. Carne e espírito, razão e emoção, dor e prazeres, amor e ódio.
Somos instruídos desde cedo a lidar com os conceitos do bem e do mal. Escola e família proporcionam as vivências necessárias para a solidificação e aplicação de ambos. Nesse contexto, nos é ensinado a respeitar e tratar nossos semelhantes como a nós mesmos. Mas, que semelhantes são esses que  podem nos ser tão distintos, ao mesmo tempo?
É fácil observar o surgimento de pequenos grupos já no ambiente escolar, todos regidos por rituais de aparências e afinidades, cuidadosamente expostas ou ocultadas. É o momento em que se inicia o hábito de classificar as pessoas para compreendê-las. Não se pensa, a esse ponto, que, quando pessoas se unem, geralmente o fazem contra algo ou alguém. É familiar a todos o diálogo que se segue à uma apresentação informal de estranhos. Indagam-se sobre times de futebol, signos, religiões, partidos políticos, comenta-se sobre gostos musicais… Tudo na esperança de que as respostas resultem na melhor representação possível daquele de quem nada se sabe. De acordo com o que revela, cada estranho é considerado “dos seus” pelo outro, ou não. Isso acontece tão frequentemente que há quem considere mais fácil criar personagens para si próprio, em conformidade com a amizade, o amor ou o emprego almejados. Ao Príncipe de Maquiavel, “não é necessário possuir todas as qualidades, mas é necessário parecer tê-las”.
Se fôssemos analisados por um alienígena, seríamos todos vistos como um enorme e único grupo, enquanto distintos de qualquer outro ser ou objeto. Mas, sob a pele, abrigamos personalidades e vontades infinitas, o que nos torna sujeitos, donos de conjuntos de experiências individuais, todas centradas na perspectiva do “eu” – logo, subjetivas.
Nem por dentro nem por fora somos seres estáticos. Corpo, rosto e personalidade, para melhor ou pior, mudam um pouco a cada dia.  Somos, como disse Sartre, criaturas condenadas a aprender a ser livres. E é o indivíduo a fonte de sua própria liberdade, seja ela ilusória ou não.
Para Descartes, a descoberta desse “eu”, único e livre, coincide com a descoberta da razão, uma vez que a percepção individual mostra-se como realidade pensante, a verdade indiscutível, a consciência. Podemos dizer, assim, que o “Penso, logo existo” satisfez uma parte do   “Conhece-te a ti mesmo”, ordenado ao futuro pela Grécia Clássica.
 Como poderíamos, então, alcançar a compreensão do “eu” do outro, uma vez que jamais teremos acesso à consciência de qualquer um, a não ser nossa própria? Para se ter uma noção do quão vasta é essa questão, basta a lembrança de que a palavra “pessoa” vem do latim, e significa “máscara”.
Seria impossível, ainda que quiséssemos, mostrarmo-nos inteiramente ao mundo e, assim, sermos compreendidos pelos demais? Seria inevitável a construção de “máscaras” ao longo da vida, na melhor das hipóteses, apenas fragmentos de faces muito mais complexas?
Talvez daí surja as metades. Porque somos invisíveis, uns aos outros. Porque cada um é um universo único, em formação, uma configuração que jamais se repetirá novamente, cujo ponto de vista jamais será compartilhado com mais ninguém. Porque, enquanto vamos descobrindo quem somos, damo-nos conta da distância entre o “eu”, que tanto conhecemos e o resto do mundo tão insondável e, não raro, o sentimento de injustiça aflora somente quando vemos a nós mesmos prejudicados em alguma situação.
Mas não se pode dizer se tais diversidades e divergências é que impulsionam o homem à frente, ou se andamos tão lentamente justamente porque cada um insiste em escolher sua própria direção e, às vezes, alguns ainda param pelo caminho para convencer os demais de que a sua é a estrada correta.
 
Por mais que se reconheça que uma profunda compreensão das diferenças e o tão desejado entendimento mútuo da humanidade são pouco mais que fantasias longe de concretizarem-se um dia, permanece a certeza de que coexistir é tão complicado quanto necessário. E mais: a felicidade real habita um lugar muito além de uma simples convivência pacífica. Só se chega nesse lugar com a entrega, com a sincera tentativa de deixar cair as máscaras e a busca desarmada pelo vislumbre da verdadeira amizade, da verdadeira justiça e do verdadeiro amor. Unir metades é, antes de tudo, um ato de confiança nos mistérios que se escondem além de nós mesmos.  

Sunday, September 11, 2011

Eterno retorno


“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência – e do mesmo modo essa aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse; a pergunta, diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre teu agir! Ou, então, com terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?”
Nietzsche – A Gaia Ciência (1978: 208)





Reflita por um instante: Sua vida, até o dia de hoje, lhe é satisfatória o suficiente? Você aceitaria, de bom grado, o desafio do demônio de Nietzsche? Viveria, com alegria e entusiasmo, essa sua mesma vida, “ainda uma vez e ainda inúmeras vezes?”

O conceito do eterno retorno é visto pelo próprio Nietzsche como um de seus pensamentos mais aterradores. Porém, por mais soturnas que tais perguntas, em princípio, possam soar, pode-se dizer que elas guardam em si a sólida visão ética de seu autor, para quem o homem é e será o juiz de sua própria existência, e deve estar atento às suas decisões, que, uma vez tomadas, valem para todo o sempre.

Nesse sentido, ele afirma que não se pode crescer sem que se tenha vencido medos e escalado declives. Somente a consciência de quem é, o que quer e o que pode fazer perante seu destino empurra o homem para cada vez mais longe de seus limites, da mediocridade tentadora e das preocupações e superstições inúteis de uma sociedade envenenada. Livre de todo o peso estéril, o homem que passa pela vida como um dançarino, um jogador, um aventureiro que acena afirmativamente e com segurança para o porvir, não conhecerá arrependimentos.

Se esse inusitado demônio corre o risco ou não de surgir diante de qualquer um de nós, realmente não importa. O importante é, através desse exercício especulativo, redescobrirmos, o quanto antes, o valor do tempo que nos cabe e o peso enorme das minúsculas coisas que fazem parte de nossa preciosa eternidade cotidiana.


"Os homens não têm de fugir à vida como os pessimistas, mas como alegres convivas de um banquete que desejam suas taças novamente cheias, dirão à vida: uma vez mais”.
Nietzsche